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Microsoft descobre hackers burlando gerador de imagens por IA, através do DALL-E

Conformidade, Proteção e Privacidade de Dados

A Microsoft tomou uma série de medidas legais para combater atividades ilícitas relacionadas ao uso de suas ferramentas de inteligência artificial baseadas na nuvem. A ação judicial, apresentada em dezembro de 2024 no Tribunal Distrital dos EUA para o Leste da Virgínia, acusa um grupo de cibercriminosos de contornar as salvaguardas de segurança do Azure OpenAI Service para criar conteúdos “ofensivos e prejudiciais”, através do DALL-E.

Contexto e Acusações

A Microsoft descreveu os criadores do domínio como um “foreign-based threat-actor group“, que em interpretação livre, podemos considerar como “grupo de cibercriminosos baseado no exterior”. Eles utilizaram um software personalizado para contornar as proteções do DALL-E.

A denúncia também lista diversas violações legais, incluindo a Lei de Fraude e Abuso de Computadores, a Lei de Copyright do Milênio Digital e legislações federais contra organizações criminosas.

“Os cibercriminosos então usaram esses serviços e revenderam o acesso a outros atores mal-intencionados com instruções detalhadas sobre como usar essas ferramentas personalizadas para gerar conteúdo prejudicial e ilícito”

– Microsoft

Descobertas e Ferramenta “De3u”

A Microsoft descobriu a atividade em julho do ano passado, quando os cibercriminosos acessaram o Azure OpenAI por meio de chaves de API1, incluindo de clientes da própria empresa localizados na Pensilvânia e em Nova Jersey. O grupo estava utilizando uma ferramenta chamada “de3u”, que anteriormente estava disponível no GitHub e no domínio “rentry.org/de3u”, antes de o software ser retirado do ar.

Não está claro que tipo de imagens ofensivas foram geradas. No entanto, a ferramenta “de3u” conseguia contornar as proteções do gerador de imagens por IA da Microsoft ao impedir que o Azure OpenAI revisasse os prompts de texto dos usuários caso contivessem certas palavras-chave que acionariam o filtro de conteúdo. Em resposta, a Microsoft revogou o acesso e entrou com uma ação judicial no mês passado no Tribunal Distrital do Leste da Virgínia para permitir a suspensão do domínio “atism.net”, utilizado para conduzir o esquema de hacking.

Após a suspensão, a Microsoft notou que os cibercriminosos estavam “tomando medidas para encobrir seus rastros, incluindo a tentativa de excluir certas páginas do Rentry.org, o repositório no GitHub da ferramenta ‘de3u’ e partes da infraestrutura de proxy reverso”, disse a empresa em um documento judicial subsequente.

A Microsoft também observou que os supostos criadores da ferramenta “de3u” ainda estavavam discutindo a repressão no fórum 4chan. Portanto, é possível que o grupo tente agir novamente ou mirar em outros geradores de imagens por IA.

Enquanto isso, a Microsoft escreveu em seu blog:

“Com esta ação, estamos enviando uma mensagem clara: a instrumentalização de nossa tecnologia de IA por atores online não será tolerada.”

A empresa também afirmou que implementou novas contramedidas e salvaguardas para impedir novas tentativas de uso malicioso.

Medidas de Segurança e Declarações

A Microsoft anunciou que adicionou contramedidas e reforçou as salvaguardas de segurança no Azure OpenAI Service. Em um comunicado oficial, a empresa afirmou:

“Com esta ação, estamos enviando uma mensagem clara: a instrumentalização de nossa tecnologia de IA por atores online não será tolerada.”

– Microsoft

Além de interromper o esquema, a ação judicial da Microsoft busca compensações financeiras e punições legais para os envolvidos, reforçando a importância de proteger os dados dos usuários e a integridade de suas ferramentas de IA.

Reflexões Finais

O caso destaca os desafios crescentes na segurança de tecnologias avançadas como a inteligência artificial, bem como a necessidade de esforços contínuos para prevenir abusos. A iniciativa da Microsoft pode servir de referência para outras empresas que enfrentam problemas semelhantes, enquanto o cenário global de cibersegurança se adapta à sofisticação das ameaças emergentes.

Nota de rodapé

  1. API: Uma Application Programming Interface (Interface de Programação de Aplicações) é um conjunto de definições e protocolos que permitem que diferentes softwares ou sistemas se comuniquem entre si. As APIs funcionam como intermediárias, possibilitando que um programa utilize recursos ou funcionalidades de outro de maneira padronizada e controlada. ↩︎

 

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